Por vezes, acontece que após alguns bons minutos de conversa, sentimos que já dissemos tudo e ficamos embaraçados a olhar para o nosso companheiro de conversa, até que um desiste, arranja uma desculpa e se vai embora.
Durante a conversa, existe geralmente muita troca de "informação gratuita", informação adicional relativamente àquela que era pedida ou esperada. Se fizermos uso desta informação, através de afirmações ou questões relacionadas com a mesma, acabaremos por encontrar a oportunidade de direccionar a conversa em direcção a outros assuntos interessantes.
Vejamos o seguinte exemplo adaptado de Garner:
Neste caso, a Raquel deu ao Luís uma pista valiosa de que tinha vivido no Porto, dando-lhe a oportunidade de direccionar a conversação para assuntos como a razão da vinda dela a Lisboa, a sua opinião sobre Lisboa, o mundo da dança no Porto, entre muitos outros possíveis assuntos.
Quando conversamos, devemos segundo Lowndes, comportarmo-nos como verdadeiros detectives de palavras, procurando possíveis pistas para novos assuntos e para possíveis interesses do nosso interlocutor.
Se consideramos que a pista que nos foi dada é interessante, é altura para a seguir. Não só tal é perfeitamente razoável, como é normal usar esta informação para se mudar a conversação para outros tópicos, pois é muito raro as conversas sociais manterem-se mais do que alguns minutos no mesmo tópico. Para se tirar proveito deste informação, basta colocar uma questão aberta sobre a mesma.
Muitas vezes a informação nem está nas palavras da pessoa, está numa T-Shirt que usa ou em impressões gerais que estamos a ter da pessoa (ex: que está a gostar de dançar).
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