Até aqui referi técnicas que encorajam os outros a falar e a gostar de nós. Mas não abordei ainda, a necessidade de nos darmos a conhecer aos outros. Quando estamos envolvidos numa conversa devemos deixar os outros falar, falar muito, pois todos os seres humanos sentem prazer em falar de si. Mas também devemos deixá-los entrar no nosso mundo, inclusivamente para que possam decidir que tipo de relação pretendem ter connosco.
Na realidade, saber abrirmo-nos perante os outros é extremamente positivo, pois quanto mais nos dermos a conhecer, mais ou outro vai sentir confiança connosco, sentir que nos conhece e fazer exactamente o mesmo, melhorando assim a relação.
Geralmente este processo de abertura é simétrico, ou seja, as pessoas dão-se a conhecer à mesma velocidade. É rara a situação em que um dos companheiros de conversa se dá a conhecer muito mais que o outro.
Para promovermos este processo, devemos esforçarmo-nos por ligar as respostas que recebemos às nossas perguntas, com as nossas próprias experiências e conhecimento, o que fará muito provavelmente que nos peçam mais informação sobre a informação que libertámos.
Outra forma de promovermos esta troca positiva de informação é orientar as respostas que pretendemos. Podemos, por exemplo, obter o nome da pessoa dizendo o nosso nome e questionando de seguida o nome dela. Desta forma, ao sermos o primeiro a libertar informação, mostramos que o que está a ocorrer é uma troca de informação e não uma entrevista.
Segundo Garner, uma conversa passa por quatro fases:
- Clichés, que ocorrem para abrir uma conversa e se resumem a frases feitas (ex: "O tempo está horrível!");
- Factos, (ex: "Hoje fui à praia");
- Opiniões, as opiniões dão aos outros a nossa visão pessoal relativamente a determinados tópicos e podem permitir-lhes iniciar uma conversa interessante connosco (ex: "O meu compositor clássico preferido é Mozart.");
- Sentimentos, nesta fase damos a conhecer as nossas emoções relativamente aos assuntos a serem discutidos, dando-nos assim a conhecer profundamente (ex: "Senti-me tão frustrado quando tive 12 no exame.").
Dar-nos a conhecer de uma forma interessante para os outros requer que não nos limitemos apenas aos factos, quando descrevemos algo, mas que expressemos como nos sentimos relativamente a esses factos, que pintemos o nosso discurso. Por exemplo:
- Como não fazer: "Hoje fui à praia e só regressei à noite."
- Como fazer: "Hoje fui à praia e senti-me mesmo bem! Estava um sol esplêndido, a água estava óptima, transparente e adorei conversar com os meus amigos. Entusiasmei-me tanto que só regressei depois de anoitecer."
Problemas mais comuns quando nos tentamos dar a conhecer:
- Projectar uma falsa imagem, exagerando as nossas virtudes, diminuindo os nossos defeitos ou tentando passar a imagem que pensamos que o outro procura. Isto pode levar a uma desilusão futura, ou simplesmente a que a outra pessoa nos ache demasiado perfeitos;
- Não acreditarem em nós, por vezes os outros podem não acreditar no que dizemos, para evitar isto devemos acrescentar locais e datas relativamente exactas às nossas descrições;
- Não sermos donos das nossas afirmações, este erro acontece quando expressamos sentimentos usando "tu" em vez de "eu" (ex: "Sabes como é quando tu chegas a casa estoirado do trabalho" quando o que queremos dizer é "Não me apetece mesmo fazer nada quando chego a casa estoirado do trabalho"). Outras vezes, particularmente nas mulheres, são comuns expressões como "Não achas que isto é demasiado caro?", que levam a respostas tão simples como um "Não.", quando o que pretendem dizer efectivamente é "Acho este artigo demasiado caro.";
- Contermo-nos por medo de estarmos a incomodar, o que é geralmente completamente errado, pois na sociedade em que vivemos as pessoas costumam estar desejosas de contacto humano, devido ao pouco que têm habitualmente.