Colocando Questões Abertas

Quantas vezes já tivemos a sensação, durante uma conversa, de estarmos a ser interrogados pela polícia? Provavelmente já cometemos o mesmo erro com outros, só para verificar no fim que o outro se afastou, ou que não conseguimos continuar a conversa.

Este tipo de situações acontece geralmente quando colocamos questões fechadas às outras pessoas, não lhes dando uma oportunidade de desenvolverem a conversa. Alguns exemplos de questões fechadas são:

  • Quantos anos tem?
  • Em que cidade nasceu?
  • Em que universidade te formaste?

Este tipo de questões não permite o normal desenvolvimento da conversa, pois uma vez dada uma resposta rápida à questão, o mais provável é vermo-nos forçados a realizar uma nova questão. É certo que algumas pessoas poderão responder a esta questão fechada com uma resposta alongada, mas este não é o procedimento habitual. A solução é realizar um esforço para colocar questões abertas, que permitam respostas mais prolongadas e interessantes, por exemplo:

  • O que é que gostaste mais nas tuas férias no Brasil?
  • Como é que decidiste tirar o curso de Engenharia Informática?
  • O que pensas do que se está a passar em Israel?

Estas questões não só fazem os nossos companheiros de conversa sentirem-se mais felizes, pois têm mais hipótese de mostrar as suas ideias e sentem que alguém se está a interessar por eles, como também promovem a continuação da conversa.

Colocar questões tem uma grande vantagem, pois permite evitar conversas enfadonhas, dado que ao sermos nós a controlar as questões, acabamos por controlar também os assuntos conversados. Devemos no entanto ser cuidadosos, por forma a evitar colocar questões que soem a falso, relativamente ao nosso interesse em saber mais acerca da pessoa com quem conversamos.

Os erros mais comuns, quando se colocam questões são:

  • Colocar questões demasiado amplas (ex: "Como tens passado?"), que por serem tão amplas, induzem o questionado a só responder com uma frase curta e a não dar uma resposta complexa. Estas questões só fazem sentido se forem utilizadas como um pequeno interlúdio que precede a conversa propriamente dita;
  • Iniciar a conversa com questões demasiado difíceis, por exemplo, um mediador deveria começar a conversa com uma pergunta sobre a casa em que vivemos agora e não perguntar directamente aquilo que procuramos;

  • Realizar perguntas com uma resposta já definida (ex: "Não pensas que eles têm razão, pois não?");
  • Mostrar o nosso desacordo relativamente a um assunto, sem antes perguntar à pessoa as razões porque pensa dessa forma.