Obviamente, o Ambientalismo de Mercado não é a fórmula mágica que resolve todos os problemas Ambientais da Humanidade, constituindo isso sim uma excelente ajuda nesse sentido. Mesmo os defensores da mais radical privatização reconhecem por exemplo, que certos bens comuns como o ar, devido à sua natureza, só muito dificilmente poderiam ser totalmente privatizados, requerendo uma burocracia maior para esse efeito que outro tipo de soluções existentes.
As soluções apresentadas pelo Ambientalismo de Mercado, estão tal como outras soluções, também sujeitas aos conflitos de interesse com os grupos que ficam a perder quando este tipo de sistema é implementado e que deitam por terra o melhor dos sistemas. Por exemplo, no Alaska, EUA, um sistema de gestão de stocks de bancos de peixe pela troca de quotas foi de tal maneira criticado pelos novos armadores a querer entrar nesse mercado, por considerarem não estar a conseguir quotas suficientes para as suas embarcações, que em 1996 o Congresso proibiu este tipo de esquemas.
Podem surgir também problemas derivados da racionalidade económica ser por vezes contraditória ao interesse da protecção do Meio Ambiente. Um artigo apresentado na revista Science, por Colin Clark da University of British Columbia, em 1973, indicava que económicamente, fazia sentido aos armadores exterminar as baleias. Esta conclusão aparentemente irracional para um armador, que destruiria assim a razão de ser da existência do seu negócio, prende-se com o facto de a reprodução das baleias ser muito lenta (estima-se que entre 1% a 4% ao ano), o que torna mais rentável o depósito num banco dos rendimentos que advierem da venda da totalidade dos stocks de baleias e da venda de todo o equipamento utilizado na sua caça.
Finalmente, a protecção de espécies que não têm interesse económico, ou que o tendo, dado serem migratórias, envolvem múltiplas juridisções, torna-se extremamente complicado utilizando as soluções propostas pelo Ambientalismo de Mercado.
Como em tudo na vida, o bom senso constitui a ferramenta a utilizar antes da implementação de qualquer medida, pois para cada problema existe uma solução mais adequada. No entanto, a experiência tem demonstrado que no mundo real, as soluções apresentadas pelo Ambientalismo de Mercado, quando faziam sentido para o problema em causa, obtiveram resultados muito positivos face a soluções para o mesmo problema, baseadas no Estado e na regulamentação, postas em prática noutros locais.
Copyright (c) 2002 por Miguel Duarte. Consulte os termos da licença.